domingo, 31 de julho de 2011

As Forças Naturais Desconhecidas

Título: As Forças Naturais Desconhecidas
Les forces naturelles inconnues, 1907

Autor: Camille Flammarion

Editora: Editora do Conhecimento

Categoria: estudo

Edição: primeira (maio 2011)

Proposta:
Documentar os fenômenos espíritas observados pelo autor durante 40 anos de experiências e apresentar as possíveis hipóteses para explicá-los.

Formato:
Livro extenso que exige umas boas 16 horas de leitura. Boa formatação dos textos, mas figuras ilustrativas muito diminuídas assim como o tamanho das letras. Papel de baixa qualidade, mas justificado pelo preço reduzido. Várias notas explicativas do tradutor.

Linguagem:
Linguagem simples e clara. Tradução excelente.

Avaliação:
A editora está de parabéns por ter resgatado esta importante obra da literatura espírita. E também por ter dado uma atenção especial na tradução e revisão do texto original assim como por ter colocado várias notas explicativas valorizando muito o conteúdo da obra.

O autor usa uma linguagem clara e objetiva para expôr suas experiências e suas argumentações. Tem a preocupação de não ser repetitivo e ao mesmo tempo sem deixar passar detalhes importantes. Divide muito bem os capítulos apresentando os fatos nos primeiros e deixando a maioria das conclusões para o final.

O cuidado na apresentação dos fatos e das argumentações também é digno de nota. O autor se mostra muito honesto ao colocar os prós e os contras das suas experiências e as opiniões favoráveis e desfavoráveis aos fenômenos. Tem coragem em expôr as fraudes dos médiuns e suas opiniões a respeito de personagens importantes do Espiritismo.

É um livro que merece ser lido sobretudo por quem investiga a fundo o Espiritismo, especialmente os capítulos 2, 5, e 12. Há muita informação interessante sobre as experiências realizadas e sobre as hipóteses explicativas dos fenômenos que o autor apresenta.

Discussão:
Seguem abaixo algumas passagens (grifos meus):

  • Página 36 do capítulo Forças naturais desconhecidas - observações preliminares:
Um único fato bem observado, mesmo que contradiga toda a ciência, tem mais valor do que todas as hipóteses.
Posição meio radical, mas os fenômenos espíritas exigem mesmo uma observação cuidadosa.

  • Página 42 do capítulo Minhas primeiras experiências no grupo de Allan Kardec e com médiuns daquela época:
Reuníamo-nos todas as sextas-feiras, à noite, no salão da Sociedade, na passagem Sainte-Anne, que estava sob a proteção de São Luís. O presidente abria a sessão com uma "invocação aos bons Espíritos". Admitia-se, em princípio, que Espíritos invisíveis estavam presentes e se comunicavam. Após essa invocação, era solicitado a um determinado número de pessoas sentadas à grande mesa, que se abandonassem à inspiração e que escrevessem. Qualificavam-nas de "médiuns escreventes". Essas dissertações eram lidas, a seguir, para um auditório atento. Não se fazia nenhuma experiência física de mesa girante, movente ou falante. O presidente, Allan Kardec, declarava não dar nenhum valor a elas. Parecia que, para ele, os "ensinamentos dos Espíritos" deviam formar a base de uma nova doutrina, de uma espécie de religião.
Flammarion era avesso a religião e por este motivo recusou ser o presidente da Sociedade Parisiense após a desencarnação de Kardec.

  • Página 42 e 43 do capítulo Minhas primeiras experiências no grupo de Allan Kardec e com médiuns daquela época:
Esses curiosos desenhos provam, indubitavelmente, que a assinatura "Bernard Palissy, em Júpiter" é apócrifa e que não foi um Espírito habitante desse planeta que dirigiu a mão de Victorien Sardou. Não foi, tampouco, o espiritual autor que concebeu previamente esses croquis e executou-os seguindo um plano determinado. Ele se encontrava, então, em um estado especial de "mediunidade". Nesse estado, não somos nem magnetizados, nem hipnotizados, nem adormecidos de modo algum. Mas nosso cérebro não ignora o que produzimos, suas células funcionam e agem, certamente por meio de um movimento reflexo sobre os nervos motores. Todos nós acreditávamos, então, que Júpiter era habitado por uma raça superior: aquelas comunicações eram, portanto, o reflexo das idéias gerais. Hoje, não imaginaríamos nada de semelhante neste globo e, aliás, nunca as sessões espíritas nos ensinaram qualquer coisa sobre astronomia. Tais resultados não provam de forma alguma a intervenção dos espíritos.
Não foi a toa que Kardec se mostrou muito prudente com relação às revelações sobre outros mundos.

  • Página 44 do capítulo Minhas primeiras experiências no grupo de Allan Kardec e com médiuns daquela época:
Naquelas reuniões na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, escrevi, por meu lado, páginas sobre astronomia, assinadas "Galileu". Essas comunicações ficavam no escritório da sociedade, e Allan Kardec publicou-as em 1867, sob o título Uranographie genérale (Uranografla Geral), em seu livro intitulado La Genèse (Gênese) (do qual conservei um dos primeiros exemplares, com a dedicatória do autor). Essas páginas sobre astronomia nada me ensinaram. Não tardei em concluir que elas eram apenas o eco daquilo que eu sabia e que Galileu nada tinha a ver com aquilo. Era como uma espécie de sonho acordado. Além disso, minha mão parava quando eu pensava em outros assuntos.
Não deve ter sido fácil para Flammarion chegar a esta conclusão.

  • Página 45 e 46 do capítulo Minhas primeiras experiências no grupo de Allan Kardec e com médiuns daquela época:
O primeiro método [escrita manual] era o único empregado na Sociedade de Estudos Espíritas presidida por Allan Kardec. E é ele que deixa margem às maiores dúvidas. E, de fato, ao término de dois anos de exercícios desse gênero, os quais também variei tanto quanto possível, sem quaisquer idéias preconcebidas a favor ou contra, e com o mais vivo desejo de conseguir desvendar as causas - o resultado foi o de concluir definitivamente que não apenas as assinaturas daquelas páginas não eram autênticas, mas também que a ação de uma causa externa não foi demonstrada, e que, em consequência de um processo cerebral a ser estudado, nós mesmos somos os seus autores mais ou menos conscientes. Mas a explicação não é tão simples quanto possa parecer e há determinadas restrições a serem feitas sobre essa impressão geral.
Ao escrevermos nessas condições - como já disse anteriormente - nós não criamos nossas frases como o faríamos em estado normal, mas, antes, nós esperamos que elas se produzam. Mas nossa mente está, mesmo assim, associada a esse processo. O assunto que está sendo tratado está relacionado com nossas idéias habituais; a língua escrita é a nossa, e se não tivermos certeza da ortografia de algumas palavras, haverá erros. Além disso, nossa mente está tão intimamente associada ao que escrevemos, que se nós pensarmos em outra coisa, se nos abstrairmos por pensamento do assunto tratado, nossa mão para ou escreve incoerências. Eis o estado do médium escrevente, pelo menos o que observei comigo mesmo. É uma espécie de autossugestão. Apresso-me em acrescentar, entretanto, que essa opinião só diz respeito, aqui, à minha experiência pessoal. Segundo asseguram, há médiuns absolutamente mecânicos, que não sabem o que estão escrevendo, que tratam de assuntos por eles ignorados e que até escreveriam em línguas estrangeiras. (...)
A experiência pessoal tem um valor importante para Flammarion.

  • Página 52 do capítulo Minhas primeiras experiências no grupo de Allan Kardec e com médiuns daquela época:
Na época da qual falava há pouco (1861-1863), participei, como secretário, de experiências realizadas regularmente uma vez por semana no salão de uma médium reputada, a senhorita Huet, na rua Mont-Thabor. A mediunidade era, de algum modo, sua profissão e, mais de uma vez, ela foi flagrada blefando admiravelmente. Podemos supor que ela própria, com muita frequência, dava as pancadas, batendo seus pés contra a mesa. Mas obtínhamos, muitas vezes, ruídos de serra, de plaina, de ribombo de tambor, de torrentes, impossíveis de imitar. A fixação da mesa ao assoalho também não pode ser produzida pela fraude... Quanto às levitações da mesa, como já disse, aquele que com a mão tentava opor resistência ao seu levantamento, sentia a mesma impressão que sentiria se a mesa estivesse flutuando sobre um fluido. Dessa forma, não vemos como a médium poderia produzir esse efeito. E tudo se passava na mais perfeita claridade.
As comunicações recebidas nas inúmeras reuniões (várias centenas) às quais assisti, tanto naquela época quanto posteriormente, mostraram-me, constantemente, resultados compatíveis com o nível de instrução dos participantes. Naturalmente, fiz muitas perguntas sobre astronomia. As respostas nunca nos ensinaram nada, e devo, em nome da verdade, declarar que, se há espíritos, entidades psíquicas independentes de nós em ação nessas experiências, esses seres não sabem mais do que nós sobre os outros mundos.
Nosso posicionamento perante os espíritos deveria levar em conta esta conclusão do Flammarion.

  • Página 60 e 61 do capítulo Minhas primeiras experiências no grupo de Allan Kardec e com médiuns daquela época:
Talvez não se passe um só ano sem que médiuns me tragam desenhos de plantas e de animais da Lua, de Marte, de Vênus ou de algumas estrelas. Esses desenhos são mais ou menos bonitos e mais ou menos curiosos. Mas, não somente nada nos leva a admitir que eles representem, realmente, coisas reais existentes em outros mundos, como também tudo prova, ao contrário, que eles são produto da imaginação: essencialmente terrestres de aspectos e de formas, não correspondendo nem mesmo ao que conhecemos das possibilidades de vida naqueles mundos. Os desenhistas deixaram-se enganar pela ilusão. Essas plantas e esses seres são metamorfoses, por vezes elegantes, dos organismos terrestres. Ainda, talvez o mais curioso seja que todos esses desenhos assemelham-se pela maneira com que foram traçados e trazem, de alguma maneira, a marca mediúnica.
As fantasias são mesmo muito sedutoras.

  • Página 72 do capítulo Minhas primeiras experiências no grupo de Allan Kardec e com médiuns daquela época:
Uma hipótese é digna de atenção quando ela explica alguma coisa. Seu valor não aumenta se desejarmos generalizá-la e fazê-la tudo explicar: isso já é ultrapassar os limites.
Interessante!

  • Página 136 e 137 do capítulo Minhas experiências com Eusapia Paladino:
Que valor não teria a observação desse objeto atravessando uma cortina, se tivéssemos certeza da honestidade do médium [Eusapia]; se, por exemplo, esse médium fosse um homem de ciência, um físico, um químico, um astrônomo, cuja integridade científica estivesse acima de qualquer suspeita? O mero fato de uma possibilidade de fraude diminui em noventa e nove por cento o valor da observação e obriga-nos a vê-la cem vezes antes de termos certeza. As condições da certeza deveriam ser compreendidas por todos os observadores e é curioso ouvirmos pessoas inteligentes surpreenderem-se com nossas dúvidas e com a estrita obrigação científica dessas condições. Para estarmos certos de semelhantes enormidades, como, por exemplo, as levitações, devemos estar cem por cento seguros, não tê-las presenciado uma vez, mas cem vezes.
Parece justo.

  • Página 163 do capítulo Outras experiências de Eusapia Paladino:
17 Já ouvi, com muita frequência, a seguinte objeção: "Só acreditarei nos médiuns não remunerados. Todos os que são pagos são suspeitos". Eusapia enquadra-se nesse último caso. Sem nenhuma fortuna, ela só vai a uma cidade se as pessoas se encarregarem de sua viagem e de sua hospedagem. Além disso, as pessoas ocupam seu tempo e a submetem a uma inquisição pouco agradável. Quanto a mim, não admito absolutamente essa objeção. As faculdades, físicas ou intelectuais, nada têm em comum com a fortuna. Dir-se-á que a médium tem interesse em blefar para ganhar seus honorários. Mas há muitas outras tentações neste mundo. Eu vi médiuns não remumerados, homens e mulheres da sociedade, blefarem sem nenhum escrúpulo, por mera vaidade, ou com um intuito ainda menos confessável: pelo prazer de enganar. As sessões de espiritismo serviram para que se estabelecessem úteis e agradáveis relações sociais... e para realizarem mais de um casamento. Devemos desconfiar tanto de uns como dos outros.
De fato, as motivações humanas são inúmeras.

  • Página 173 do capítulo Outras experiências de Eusapia Paladino:
Em Cambridge, Eusapia foi pega em flagrante delito de fraude devido à substituição das mãos. Enquanto os controladores acreditavam estar segurando suas duas mãos, eles seguravam apenas uma: a outra estava livre. Os experimentadores de Cambridge declararam unanimemente que "tudo era fraude, do início ao fim", nas vinte sessões com Eusapia Paladino.
Em um documento endereçado ao senhor de Rochas, o senhor Ochorowicz contestou essa conclusão radical por várias razões. Eusapia é muito sugestionável e, alimentando sua tendência à fraude sem impedi-la, por uma espécie de encorajamento tácito, acabamos por incitá-la mais. Por outro lado, sua fraude é, geralmente, inconsciente.
Será que a fraude e a verdade podem andar juntas?

  • Página 198, 199, 200 do capítulo Fraudes, trapaças, logros, simulações, prestidigitações, mistificações, dificuldades:
No caso de Eusapia, que foi a médium mais completamente examinada neste trabalho, a fraude infelizmente foi confirmada em mais de uma circunstância.
Mas devemos fazer, aqui, uma observação muito importante.
Todos os fisiologistas sabem que as histéricas têm uma tendência à mentira e à simulação. Elas mentem, sem razão aparente, e apenas pelo prazer de mentir. Encontramos histéricas entre as mulheres e jovens das classes mais altas.
(...) devo lembrar que estudei, por aproximadamente quarenta anos, quase todos os médiuns cujas experiências tiveram maior repercussão: Daniel Dunglas Home, particularmente dotado de faculdades espantosas, que realizou nas Tulherias, diante do imperador Napoleão III, sua família e seus amigos, sessões tão extraordinárias e que mais tarde foi empregado por William Crookes para experiências científicas muito precisas; a senhora Rodière, famosa médium tiptóloga; Camile Brédif, que produzia aparições bizarras; William Eglington, com suas lousas encantadas; Henry Slade, que fizera com o astrônomo Zõllner aquelas experiências inconcebíveis nas quais a geometria somente poderia existir admitindo-se a possibilidade de uma quarta dimensão do espaço; Édouard Buguet, cujas fotografias mostravam as sombras dos mortos e que, tendo me autorizado a fazer experiências com ele, deixou-me pesquisando durante cinco semanas antes de descobrir seus truques; Lacroix, à voz de quem os espíritos (de todas as idades!) pareciam acorrer em massa, e muitos outros que chamaram vivamente a atenção dos espíritas e dos pesquisadores por meio de manifestações mais ou menos estranhas e prodigiosas.
Frequentemente fiquei totalmente decepcionado. Quando eu tomava as precauções necessárias para impedir o médium de ludibriar, eu não obtinha nenhum resultado; se eu fingia nada ver, eu percebia com o canto do olho a trapaça. E, em geral, os fenômenos que se produziam, chegavam nos momentos de distração, em que minha atenção tinha se relaxado.
Tarefa árdua!

  • Página 208 do capítulo Fraudes, trapaças, logros, simulações, prestidigitações, mistificações, dificuldades:
Podemos admitir que a médium querendo produzir um efeito e tendo à sua disposição dois meios: um fácil que exige apenas habilidade e astúcia, e o outro penoso, custoso e doloroso, era tentada a escolher, conscientemente ou mesmo inconscientemente, aquele que lhe custasse menos.
Será que isso é regra ou exceção?

  • Página 211 do capítulo Fraudes, trapaças, logros, simulações, prestidigitações, mistificações, dificuldades:
Creio que temos somente uma maneira de nos assegurarmos da realidade dos fenômenos: impedindo o médium de blefar. Pegá-lo em flagrante delito de fraude seria extremamente fácil. Bastaria não intervir. Além disso, podemos, facilmente, ajudá-lo a blefar e a ser pego: basta estarmos convencidos de sua desonestidade.
Quem procura acha?!

  • Página 340 do capítulo As experiências de Sir William Crookes:
Ainda uma palavra a respeito desse fenômeno extraordinário. O senhor Home, que se prestou, como vimos, às primeiras experiências do senhor Crookes, disse-me, pessoalmente, sua opinião, segundo a qual a senhorita Cook tinha sido uma hábil farsante e que havia, indignamente, enganado o ilustre cientista, e que, em termos de médium, não havia ninguém mais absolutamente confiável do que ele, Daniel Douglas Home. Ele até acrescentou que o noivo da senhorita Cook havia dado (ao senhor Crookes) testemunhos surpreendentes de sua grande contrariedade.
Para quem conhece e observou de perto as rivalidades dos médiuns - tão evidentes quanto as dos médicos, dos atores, dos músicos e das mulheres - essas palavras do senhor Homes não me parecem ter um real valor intrínseco. Mas reconheçamos que o referido fenômeno é verdadeiramente tão extraordinário que somos conduzidos a procurar todas as explicações possíveis antes de admiti-lo. Aliás, essa é a opinião do próprio senhor Crookes.
Modesto ele, não?!

  • Página 402 do capítulo As hipóteses explicativas, teorias e doutrinas. Conclusões do autor:
Algumas vezes, um desses juizes eminentes consente, não em parar de piscar o olho e de sorrir, em sua majestosa competência, mas em se dignar a assistir a uma sessão. Se, como frequentemente acontece, não houver nada que obedeça à vontade, o ilustre observador se retira, firmemente convencido de que, com sua extraordinária penetração, ele descobriu o truque e bloqueou tudo pela sua clarividente intuição. Imediatamente, ele escreve aos jornais, explica a fraude e chora lágrimas de crocodilo humanitário diante do triste espetáculo de ver homens, aparentemente inteligentes, caírem nas imposturas descobertas por ele logo da primeira vez.
Há heróis em ambos os lados.

  • Página 417 do capítulo As hipóteses explicativas, teorias e doutrinas. Conclusões do autor:
Uma primeira conclusão certeira é que o ser humano possui em si uma força fluídica e psíquica de natureza ainda desconhecida, capaz de agir à distância sobre a matéria e de fazê-la mover-se.
Para alguém tão cuidadoso como Flammarion tal conclusão merece atenção.

  • Página 431 do capítulo As hipóteses explicativas, teorias e doutrinas. Conclusões do autor:
Almas de mortos? Isso está longe de ser demonstrado. Nas inúmeras observações que multipliquei durante mais de quarenta anos, tudo me provou o contrário.
Nenhuma identificação satisfatória pôde ser feita.
As comunicações obtidas sempre me pareceram ser provenientes da mentalidade do grupo ou, quando elas são heterogêneas, de espíritos de natureza incompreensível. O ente evocado desaparece quando insistimos, colocando-o contra a parede, para nos livrarmos de nossas dúvidas sobre sua realidade. E depois, minha maior esperança ruiu, aquela esperança dos meus vinte anos, que tanto gostaria de receber iluminações celestes sobre a doutrina da pluralidade dos mundos. Os espíritos nada nos ensinaram.
Definitivamente, a hipótese espírita não era uma de suas favoritas.

  • Página 433 do capítulo As hipóteses explicativas, teorias e doutrinas. Conclusões do autor:
Eu não tenho a menor sombra de dúvida que as almas sobrevivem à destruição dos corpos. Mas que elas se manifestam por esses procedimentos, o método experimental não oferece, realmente, nenhuma prova absoluta.
Ressalva importante.

  • Página 434 do capítulo As hipóteses explicativas, teorias e doutrinas. Conclusões do autor:
Por que os filhos, cuja morte os pais lamentam, não vêm jamais consolá-los? Por que nossas mais caras afeições parecem ter desaparecido para sempre? - E os testamentos roubados? E as últimas vontades ignoradas? E as intenções deturpadas? E...?
Somente os mortos não voltam, diz um antigo provérbio. Talvez esse aforismo não seja absoluto, mas as aparições são raras, muito raras, e não conhecemos precisamente sua natureza. Serão verdadeiros fantasmas? Isso não foi ainda demonstrado.
Até o momento, tenho procurado em vão uma prova concreta de identidade nas comunicações mediúnicas. Por outro lado, não vejo porque os espíritos teriam necessidade de médiuns para se manifestarem, se eles existem ao nosso redor. Eles deveriam fazer parte da natureza, da natureza universal que inclui todas as coisas.
40 anos de pesquisa! Será que procurou direito?

  • Página 438 do capítulo As hipóteses explicativas, teorias e doutrinas. Conclusões do autor:
Eu não estou dizendo que os espíritos não existem: ao contrário, tenho razões para admitir sua existência. Até determinadas sensações expressas pelos animais, pelos cães, pelos gatos, pelos cavalos parecem justificar a presença inesperada e impressionante de seres ou de agentes invisíveis. Mas, fiel servidor do método experimental, eu penso que devemos esgotar todas as hipóteses simples, naturais, já conhecidas, antes de recorrermos às outras.
Infelizmente, um grande número de espíritas prefere não ir ao fundo das coisas, nada analisar, ser joguete das impressões nervosas. Eles assemelham-se àquelas honestas mulheres que rezam seu terço acreditando ter diante de si Santa Inês ou Santa Filomena. Não há nada de mal nisso, podem dizer. Mas é uma ilusão. Não nos deixemos enganar por ela.
Será que isso ainda vale nos dias de hoje?

  • Página 438 e 439 do capítulo As hipóteses explicativas, teorias e doutrinas. Conclusões do autor:
Como eu já observei, nesses diversos fenômenos há inúmeras causas em ação. Entre essas causas, a obra de espíritos desencarnados, almas de mortos, é uma hipótese explicativa que não devemos rejeitar sem exame. Ela parece às vezes a mais lógica, mas tem contra si poderosas objeções; e seria da mais alta importância poder demonstrá-la com segurança. Seus partidários deveriam ser os primeiros a aprovar a severidade dos métodos científicos que aqui nós aplicamos no estudo dos fenômenos, pois quanto mais solidamente o espiritismo for fundamentado, mais ele terá valor. As crenças ingênuas e as ilusões não podem dar a ele nenhuma base séria. A religião do futuro será a religião da ciência. Existe apenas uma espécie de verdade.
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12 comentários:

  1. É muito impressionante tudo isso. Flammarion praticamente desacredita o Espiritismo do começo ao fim. Chega a dar um frio na espinha.

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  2. Apesar do nosso querido cientista Camille Flamarion, dizer-se esp�rita, no entanto, pelo que pude observar, ele n�o foi enf�tico em suas conclus�es sobre as suas pesquisas medi�nicas. Ao contr�rio de tantos cientistas do esp�rito, que vieram a nos convencer da realidade espiritual. Cito um; Alexandre Aksakof.
    Sugiro, portanto, ao Vital, no �Analisando o livro esp�rita� que, se poss�vel, publique a an�lise do livro: Animismo e Espiritismo de Alexandre Aksakof.
    Este livro � uma obra cl�ssica, em resposta as id�ias anti-esp�ritas do famoso fil�sofo alem�o Dr. Eduardo Von Hartmann.
    Foi por muitos estudiosos, a obra mais importante e mais completa que se escreveu sobre o espiritismo, do ponto de vista cient�fico e filos�fico.
    Observemos o que disse Aksakof: �N�o pude fazer outra coisa o que vi, ouvi e senti; e quando centenas de milhares de pessoas afirmam a mesma coisa, quanto ao g�nero do fen�meno, apesar da variedade infinita das particularidades, a f� no tipo do fen�meno se imp�e�
    link;http://www.autoresespiritasclassicos.com/Autores%20Espiritas%20Classicos%20%20Diversos/Alexandre%20Aksakof/Livro%202/ALEXANDRE%20AKSAKOF%20ANIMISMO%20E%20ESPIRITISMO.htm

    Abra�o

    Paulo Cesar - DF

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  3. Olá, amigos!

    Leonardo, acho que o verbo 'desacreditar' não é adequado... está mais para 'questionar' ou 'colocar em dúvida'.

    Paulo Cesar, obrigado pela dica de leitura... normalmente publicamos análises de livros recém lançados, mas parece ser importante o contraponto.

    Abraços!

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    1. Camille Clammarion- De que espécie são esses seres? Nenhuma idéia podemos ter a tal respeito. Almas

      dos mortos? Estamos muito longe de dar prova disso. Minhas observações de mais de quarenta anos

      provam o contrário. Nenhuma identificação já se fez satisfatoriamente

      As Forças Naturais Desconhecidas - pag. 583 - Paris - 1906

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  4. Há nestas declarações de Flammarion, as vezes algo que beira a observação do neófito. Teria ele mesmo - depois de quarenta anos de estudos, depois daquele discurso no enterro de Kardec - escrito tudo isso?
    Teria o ilustre astrônomo se deixado embalar pela fraudes mediúnicas que povoaram a Europa do final do século XIX e início do XX?
    Como estudantes do Espiritismo, não nos resta dúvidas que os fenômenos psíquicos são delicados e toda observação, é merecedora de muita cautela.

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  5. Olá, Mariano!

    Sim, foi o próprio Flammarion quem escreveu o livro. E, como você bem observou, após 40 anos de estudos. Provavelmente, as fraudes observadas por ele ajudaram-no a chegar às conclusões expostas no livro.

    Abraço!

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    1. O texto abaixo deixa claro que suas pesquisa o levou a verdade de que nunca foi provado que esses espíritos são alma dos mortos:
      Camille Clammarion - De que espécie são esses seres? Nenhuma idéia podemos ter a tal respeito. Almas dos mortos? Estamos muito longe de dar prova disso. Minhas observações de mais de quarenta anos provam o contrário. Nenhuma identificação já se fez satisfatoriamente

      As Forças Naturais Desconhecidas - pag. 583 - Paris - 1906


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    2. Veja que já faço referência a esta passagem que se encontra na página 431 da versão traduzida.

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  6. Não estamos acostumados a ler, um tema de um autor, que fez o discurso no descenso de Allan Kardec, chamando-o de o Bom Senso encarnado, ONDE USA absoluta imparcialidade entre SER Espírita e SER Cientista. Flamarion era da Sociedade Científica da época, Presidente do Instituto astronômico de Paris, e fatalmente, Galileu, não teria nada a lhe ensinar, mas no uso da mediunidade de escrita, o assunto "Uranografia Geral", foi editada por Kardec em A Gênese, pois, o tema foi desenvolvido, em um todo, completo, sem correções por parte de Flamarion, este em momento algum diz que fez correções no texto, assinado por Galileu Galilei; está situação deu a Kardec, visão da presença e a adicionou aos FATOS da GÊNESE ESPÍRITA, não ligado à filosofia, ou à prova científica, exaradas nas experimentações com garotas e médiuns diversos, que tocavam os dedos na prancheta, nunca isoladamente, e escreviam textos, por vezes espontãneamente e por vezes respondendo á perguntas mentais, de difícil, negação da hipótese espírita, das almas dos homens que viveram na Terra e sobreviveram à morte física. Sendo assim, nossa inabilidade em não tomar partido nessa ou outra condição, Flamarion nos deu a grande lição que: "A ciência tradicional, não tem capacidade científica material, de provar a existência dos Espíritos, mas não tem absolutamente capacidade de afirmar, que não são as almas dos homens que viveram na Terra, que escreveram os textos e que ESPÍRITOS SUPERIORES, trouxeram a REVELAÇÃO ESPÍRITA, que em resuno é - "A MORTE NÃO MATA A VIDA". VIVEMOS SEMPRE E PARTICIPAREMOS OSTENSIVAMENTE DA VIDA QUE VIVEMOS E VIVEREMOS". Paz e Luz. ANTONIO NAZARENO DE FREITAS - Espírita e cético da NEGAÇÃO pura e simples, da hipótese espírita.

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    1. Olá, Antonio!

      Primeiramente, obrigado por deixar seus comentários no blog. Por favor, poderia me indicar de onde você tirou a citação de Flammarion no final de sua mensagem?

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  7. Sugiro aos leitores desse blog a leitura do livro A Farsa dos Espíritas (de minha autoria) e também os vídeos no canal do youtube, herculanum001, onde o proprietário do canal faz leitura crítica das obras do Kardec, no último vídeo ele usa o livro do Flammarion.

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  8. Respeito muito Camille Flammarion, mas ele concluiu erradamente ! Milhares de fraudes não tem a força de apagar um fato espírita verdadeiro ! E vários fatos espíritas foram comprovados por outros grandes sábios ! O "Cientificismo" e o personalismo dominaram a mente do astrônomo quando escreveu este livro. Mas, mesmo com esta conclusão cética, é um livro de grande valor para o Espiritismo !

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