domingo, 18 de setembro de 2011

A Biologia da Crença

Título: A Biologia da Crença

Autor: Bruce H. Lipton

Editora: Butterfly

Categoria: estudo

Edição: primeira (2007)

Proposta:
Reflexão sobre o papel dos genes e do ambiente na identidade dos seres vivos. Proposta de uma visão espiritualista da vida baseado nas reflexões sobre os estudos da biologia celular.

Formato:
Livro de tamanho grande com aproximadamente 250 páginas com linhas bem espaçadas e letras maiores do que as habituais. Dá pra ser lido em umas 8 horas. Bom projeto gráfico com uma bonita capa e ilustrações bem posicionadas no texto. As seções e capítulos são bem distribuídos. Destaque especial para a seção de (várias) referências bibliográficas organizadas por seção.

Linguagem:
Linguagem muito bem humorada, além de simples e clara. Textos escritos num bom Português.

Avaliação:
Você pode demorar 8, 9, ou 10 horas para ler este livro, mas vai parecer que foi apenas uma. A leveza da linguagem, o bom humor, a argumentação didática são alguns dos elementos que explicam o prazer em devorar um livro como esse. Não é à toa que já passa dos 100 mil exemplares vendidos.

O conteúdo do livro é muito rico, cheio de ideias e reflexões. Uma nova visão sobre o papel dos genes quebrando a ideia do determinismo genético é bem colocada pelo autor. Na maioria das vezes ele é bem ponderado, mas, por outras, parece que ele se entusiasma demais e acaba passando uma ideia distorcida por um viés oposto.

Embora o autor tenha sido muito eficiente em desmistificar que os genes são os bam-bam-bans do controle celular e da vida, ele apenas passa a "faixa" para os sinais do ambiente. Ou seja, na prática o materialista continuaria a ver determinismo na vida. Porém, a diferença é que o autor associa o ambiente a uma consciência divina.

Por sua vez, esta consciência divina seria compartilhada por todos os organismos vivos incluindo aí nossas 50 trilhões de células. A evolução da vida seria a expansão dessa consciência. É uma ideia muito simpática e encontra eco em muitos espíritas. Mas, é bom ficar claro que este panteísmo já foi refutado por Kardec uma vez.

A ideia apresentada de que podemos alterar nossa genética e transmitir aos nossos filhos é muito apropriada a hipótese de uma intencionalidade na evolução das espécies. Por outro lado, não ficou claro o quão significativa é esta possibilidade de transmissão hereditária.

Por fim, não poderia deixar de destacar a indicação de referências bibliográficas para a maioria das ideias apresentadas no livro. Na verdade isto não deveria ser motivo para destaque porque deveria ser a regra, mas infelizmente não é.

Discussão:
O livro tem várias passagens interessantes, mas apresento abaixo as que ilustram melhor a avaliação feita.

Página 32 do capítulo A Magia das Células:
"Você pode se considerar um indivíduo, mas como biólogo celular eu lhe digo que você é uma grande comunidade cooperativa de aproximadamente 50 trilhões de células e que a maioria delas vive como amebas, ou seja, organismos que desenvolvem uma estratégia cooperativista para a sobrevivência de todos. Em termos mais simples: os seres humanos são meros resultados de uma "consciência amebóide coletiva". Assim como uma nação relfete as características de seus cidadãos, nossa condição humana reflete a natureza de nossa comunidade celular.
A partir de agora vou pensar duas vezes antes de xingar alguém de ameba... rsrs!!!

Página 46 e 47 do capítulo Lições da Placa de Petri: a inteligência das células e dos alunos:
As células também são capazes de aprender com as experiências que vivenciam em seu ambiente e de criar uma espécie de memória que é passada aos seus descendentes. Por exemplo: quando o vírus do sarampo infecta uma criança, suas células ainda não amadurecidas são colocadas em ação para criar um anticorpo de proteína protetor e combatê-lo. Nesse processo, as células criam um novo gene que servirá de padrão para a fabricação de anticorpos contra o sarampo.
Curioso isso, não?

Página 79 e 80 do capítulo É o ambiente, sua besta:
Mas então, para surpresa geral... (Maestro, que rufem os tambores!)
Um cientista arrasta nossa pobre e relutante célula até a área de visão do microscópio e a prende a uma base fixa. Usando um micromanipulador, leva uma micropipeta até a célula e a insere no interior do citoplasma. Aplicando uma leve sucção, o núcleo é aspirado para dentro da pipeta, que é então retirada do interior do citoplasma. Encontra-se então em nossas mãos o objeto do sacrifício da célula: seu "cérebro".
Mas, espere! Ela ainda está se movendo! Não pode ser... a célula ainda está viva!
O ferimento se fecha e, assim como um paciente após uma cirurgia, a célula começa a se recuperar. Algum tempo depois já está de pé (digo, sobre seus pseudópodes), fugindo do campo do microscópio, esperando nunca mais ver um cientista em sua vida.
É um pândego este Bruce!!!

Página 82 do capítulo É o ambiente, sua besta:
Na última década, as pesquisas epigenéticas estabeleceram que os padrões de DNA passados por meio dos genes não são definitivos, isto é, os genes não comandam nosso destino! Influências ambientais como nutrição, estresse e emoções podem influenciar os genes ainda que não causem modificações em sua estrutura. Os epigeneticistas já descobriram que essas modificações podem ser passadas para as gerações futuras da mesma maneira que o padrão de DNA é passado pela dupla espiral (Reik e Walter, 2001; Surani, 2001).
Será que estas modificações genéticas transmitidas para as gerações futuras são numericamente significativas?

Página 127 do capítulo A nova Física: como plantar firmamente os pés no ar:
Os efeitos adversos de medicamentos desse tipo ainda são a principal causa de morte iatrogênica, ou seja, causada por tratamento médico. Segundo estimativas conservadoras publicadas no periódico Journal of the American Medicai Association, doenças iatrogênicas são as terceiras maiores causadoras de morte nos Estados Unidos. Mais de 120 mil pessoas morrem, por ano, devido aos efeitos adversos de medicamentos prescritos por médicos (Starfield, 2000). No entanto, um estudo realizado recentemente mostra resultados ainda mais impressionantes (Null et al., 2003). Indica que as doenças iatrogênicas são a causa principal de mortes no país. Mais de 300 mil pessoas morrem todos os anos devido a remédios receitados.
Humm... será? Parece muito exagerado.

Página 149 do capítulo Biologia e crença:
Outro exemplo interessante é o do vírus HIV, que se acredita causar a Aids, pois até agora ninguém conseguiu explicar por que tantos indivíduos infectados com o vírus há décadas não apresentam sintoma algum. E o que dizer dos pacientes terminais de câncer que recuperaram a saúde livrando-se das conseqüências da doença? Como essas remissões espontâneas ainda não têm explicação, a ciência simplesmente ignora sua existência. Cura ou saúde espontâneas estão fora do quadro-padrão de diagnósticos.
Será mesmo que o autor tem dúvida de que o HIV causa a Aids? Parece que o autor exige explicações demais, não?

Página 168 do capítulo Biologia e crença:
Outro fato interessante sobre o efeito dos antidepressivos é que eles vêm obtendo desempenho cada vez melhor em testes clínicos nos últimos anos, o que sugere que seus efeitos placebo se devem, em grande parte, a estratégias de marketing. Quanto mais os efeitos milagrosos dos antidepressivos são divulgados pela mídia e pela propaganda, mais eficazes eles se tornam. As crenças são contagiosas! Vivemos hoje em uma cultura em que as pessoas acreditam que os antidepressivos funcionam. Por isso eles funcionam.
Não é que isso faz sentido?!

Página 202 do capítulo Paternidade consciente: a função da engenharia genética dos pais:
Além de facilitar os programas habituais subconscientes, a mente consciente é espontaneamente criativa em suas reações aos estímulos ambientais. Por ter habilidade de auto-reflexão, a mente consciente pode observar o comportamento no momento em que ele é colocado em prática. A medida que um comportamento pré-programado entra em ação, ela pode intervir, interrompê-lo e criar uma nova resposta para aquele estímulo. Isso nos dá o livre-arbítrio e mostra que não somos meras vítimas de nossa programação. No entanto, para modificar esses padrões estabelecidos temos de estar totalmente conscientes para que a programação não se sobreponha à nossa vontade, uma tarefa bastante difícil. Qualquer um sabe o que é lutar contra os hábitos. A programação subconsciente assume o controle toda vez que a mente consciente se distrai.
A existência do livre arbítrio parece ser o ponto chave de toda a discussão.

Página 226 do capítulo Ciência e espiritualidade:
Naquela manhã no Caribe, percebi que mesmo os "vencedores" em nosso mundo darwiniano são perdedores, pois somos todos um único ser que faz parte de um grande universo/Deus. As células adotam determinado tipo de comportamento quando seu cérebro, a membrana, reage aos sinais do ambiente. Na verdade, cada proteína funcional em nosso corpo é uma "imagem" complementar de um sinal do ambiente. Se não houvesse um sinal para complementá-las elas não teriam função. Isso significa, segundo concluí naquele grande momento de "ahá", que cada proteína em nosso organismo é um complemento físico-eletromagnético de algo no ambiente. Como somos máquinas de proteína, por definição somos feitos à imagem do ambiente, seja ele o chamado universo ou, como muitos preferem chamá-lo, o próprio Deus.
Uma explicação sofisticada da ideia bíblica de que somos feitos à imagem e semelhança de Deus.

Página 229 e 230 do capítulo Ciência e espiritualidade:
O que comprova minhas conclusões de que a transmissão de um paciente continua presente mesmo após sua morte são os casos de muitas pessoas que dizem sentir modificações psicológicas e comportamentais após receberem um transplante de órgãos. Um exemplo é o de Claire Sylvia, da Nova Inglaterra, que sempre teve personalidade bastante conservadora, porém, começou a gostar de cerveja, nuggets de frango e motocicletas após sofrer um transplante de coração. Procurou então a família do doador e descobriu que ele era um rapaz de 18 anos que gostava de motocicletas e adorava nuggets e cerveja.
Que doido! O morto continua se manifestando através do órgão transplantado. É o que poderíamos chamar de uma ressurreição parcial!

Página 231 do capítulo Ciência e espiritualidade:
Os transplantes de células e de órgãos oferecem um modelo não apenas da imortalidade como também da reencarnação. Considere a possibilidade de que no futuro um embrião venha a apresentar as mesmas características e receptores de identidade que eu possuo hoje. Será, então, um embrião de "mim mesmo". Minha identidade estará de volta, porém em um corpo diferente. Discriminações raciais e de sexos passam a ser algo ridículo e até mesmo imoral quando percebemos que nossos receptores podem ser reproduzidos no futuro tanto em um corpo branco como em um negro, asiático, masculino ou feminino. Como o ambiente representa "tudo o que existe" (Deus) e nossas antenas receptoras captam apenas parte do sinal universal, cada um de nós representa uma pequena parte dele... uma pequena parte de Deus.
Dois comentários... (1) se a identidade está impressa nas células então a reencarnação pode ser provada; (2) ser parte de Deus é uma ideia panteísta, não aprovada por Kardec.

4 comentários:

  1. O livro não é espirita ...nem passa perto disso.

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  2. "Se a ciência refutar o espiritismo, aceita a ciência" Allan Kardec

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  3. Esse maravilhoso livro realmente não é espírita mas ajuda aos espíritas a compreenderem a correlação entre ciência e espiritualidade. A editora Butterfly é o braço não espírita da Petit, editora espírita.

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  4. quer dizer então que eu , como doador de órgãos é de sangue , estou espalhando a minha " personalidade " por aí ?? mas na hora da morte , não morrem todas as células ????

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