domingo, 22 de agosto de 2010

A Mansão Renoir

Título: A Mansão Renoir

Autor: Dolores Bacelar, Alfredo (espírito)

Editora: Correio Fraterno

Categoria: romance

Edição: décima oitava (janeiro de 2010)

Proposta:
História clássica dos romances mediúnicos envolvendo personagens que voltam para resgatar débitos vividos em outras vidas.

Formato:
Volumoso pra ser lido em mais de 15 horas. Mas está bem distribuído em 37 cenas ou capítulos.

Linguagem:
Linguagem clara, envolvente, precisa. Belas descrições das personagens e dos cenários.

Avaliação:
Romance mediúnico tem que ser em primeiro lugar um bom romance, uma boa estória que emociona, que traz prazer na leitura. E é o caso desta bela obra. É claro que as questões espirituais permeiam o enredo, mas são colocadas em geral de tal forma que os diálogos e as cenas ficam naturais.

Embora o texto seja muito longo ele não é repetitivo. Os capítulos são bem delimitados e diferentes entre si, contribuindo para cativar o leitor na sua leitura até o final.

Os autores focam acertadamente nos valores humanos explorando bem as personagens da estória. Mas nem só de textos elevados o livro contém, há ainda espaço para o bom humor e boas tiradas, especialmente com a personagem de um padre.

Discussão:
Na página 34 do capítulo A Casa do Jardineiro os autores desenvolvem o conceito do mal:
... o mal não existe. Isso que definimos assim são erros que cometemos por ignorância e atraso espiritual. A maldade é um estado passageiro da alma, ...

Na página 99 do capítulo O Sonho os autores escrevem:
Acontece, às vezes, que as cenas só poderão ser vistas, num prisma diferente do tempo: em vez de chegarem num sentido crescente, elas chegam pelo inverso, decrescendo... Assim, poderá notar primeiro a crucificação de Cristo para depois ver o seu advento. É assunto muito complexo este; não podemos distendê-lo, por hora.
Vixe! Que viagem!!! Ainda bem que os autores preferiram parar por aí... eheh!!!

Na página 122 do capítulo O Lobo e o Pastor os autores escrevem:
__ O Espiritismo não é religião, apenas...
__ Que é mais ainda?
__ É ciência, uma grande ciência a estudar. Um dia ela há de suplantar todas as demais ciências.
Poderia ter evitado este discurso meio prepotente.

Na página 192 do capítulo Pergaminho os autores escrevem:
[o espírito Joceline] Encontrou em seus dons mediúnicos os meios para materializar-se e apresentou-se diante do senhor como se viva estivesse. Porém ao sentir a sua dúvida, desapareceu, levando o pergaminho, como prova de sua existência interplanetária.
Neste trecho chama a atenção algumas coisas. Aparentemente, o espírito poderia materializar-se sem a presença de um médium fornecendo ectoplasma. Pode ainda desmaterializar ou sumir com objetos. E parece que existia a idéia de que o espírito estaria morando em outro planeta... hoje se fala em outro plano ou dimensão.

Na página 210 do capítulo Ainda o Ajuste de Contas os autores escrevem:
__ Porque, meu filho, quem com ferro fere com ferro será ferido - respondeu o ancião sorrindo tristemente.
Embora a frase esteja dentro do contexto da estória, ela revela uma forma de pensar muito determinista que hoje em dia os espíritas estão deixando de lado.

Nas páginas 226 e 227 do capítulo O Esclarecimento os autores apresentam pontos interessantes para discussão:
O processo evolutivo humano ou terrestre se dá nos quatro reinos da natureza: no mineral, no vegetal, no animal e humano.
(...)
Se fracassam, novas energias lhe serão ministradas, no espaço, energias essas que são verdadeiros tônicos, os quais lhes darão ânimo para voltarem ao "laboratório" e iniciar uma nova experiência.

Na página 227 do capítulo O Esclarecimento os autores escrevem:
Assim como há Espíritos que já passaram pela Terra e continuam em outros planos mais elevados para sua evolução, ainda existem muitos em estado pralaico, que terminaram seu ciclo pelo reino animal, vindos da cadeia lunar, e somente agora estão em preparo para ingressar no Reino Humano.
(...)
__ O número de espíritos atual, no gênero humano, é de 60 bilhões, tendendo sempre a aumentar com o ingresso de novos espíritos vindos após o término da ronda lunar. Ora, como a população de seu planeta é de 2 bilhões mais ou menos, fica um débito a favor dos que nascem de perto de 58 bilhões de espíritos...
Não há consistência nesta argumentação uma vez que todos os espíritos terrestres precisam reencarnar e a estimativa para o número de crianças nascidas em todos os tempos gira em torno de 120 bilhões. Assim, daria uma média de apenas 2 encarnações por espírito.

E essa estória de espíritos de animais vindos da cadeia lunar já ficou ultrapassada. Acho que ninguém fala mais nisso... ou fala?

4 comentários:

  1. É UM ROMANCE QUE FALA DO AMOR PURO, DA REENCARNAÇÃO, DA FECICIDADE ETERNA, LINDO

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  2. Um dos melhores livros espíritas que já li! Realmente ele traz algumas revelações que nosso cérebro terreno não consegue compreender. Essa história do ciclo lunar mexeu comigo. Abraços, Renato

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  3. Valeu, Renato! Eu também não consegui entender esta estória do ciclo lunar. E suspeito que nunca vou conseguir. Abraço!

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