terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Vidas - Memórias e amizades


Título: Vidas - Memórias e Amizades

Autor: Wilson Garcia

Editora: Eldorado/EME

Categoria: biografia

Edição: primeira (novembro de 2009)

Proposta:
Apresenta os registros biográficos de importantes personalidades espíritas já desencarnadas e que conviveram com o autor.

Formato:
Tem um formato um pouco maior, fora do habitual, com largas margens nas páginas que produz um conforto agradável a leitura. Possui umas 50 mil palavras (aproximadamente 5 horas de leitura) distribuídas em 200 páginas. É dividido por capítulos destinados a cada um dos onze biografados iniciando por uma fotografia (curiosamente, não há a de Aluysio Palhares).

Linguagem:
Linguagem muito agradável baseada num Português impecável e na prosa mansa de um mineiro contador de "causos". Cuidadoso com as palavras consegue descrever com precisão fatos, memórias e sentimentos.

Avaliação:
Biografias costumam ser chatas! Esta não! Ela revela as memórias de doze (número místico?) interessantes personalidades: Hélio Rossi, Deolindo Amorim, Aluysio Palhares, Hamilton Saraiva, Antonio Lucena, Valentim Lorenzetti, Paulo Alves Godoy, Carlos Jordão da Silva, Eduardo Carvalho Monteiro, Jorge Rizzini, Ary Lex. Ops... contei certo? são 11? não são 12 mesmo! Temos que somar a estes onze o mais biografado deles, o próprio autor Wilson Garcia.

O auto conviveu com todas as onze personalidades e o resgate desta convivência é a melhor forma de enxergá-las sob o olhar privilegiado do autor. E este olhar é o que revela ao mesmo tempo a personalidade de quem relata. São as vidas vividas que se desenrolam nas agradáveis linhas dum contador de estórias. A leitura da obra lembra a sensação de um bate-papo regado a um gostoso cafezinho.

Relembrar ou conhecer o nosso passado potencializa a nossa capacidade de compreender nosso presente. E nas memórias do autor percebemos como a vida se repete e como ela se reinventa. É interessante observar também como as personalidades são pessoas... é isto mesmo! Personalidades são antes de tudo pessoas com suas qualidades e seus defeitos que os tornam perfeitamente humanos.

Ainda que diferentes personalidades, são dotadas de qualidades comuns que os fazem se misturar em uma única personalidade, ou melhor, em uma estória da nossa realidade espírita, ou antes da realidade vivida pelo autor. São estórias de luta, perseverança, autonomia, empreendedorismo que se entrelaçam na estória de vida do próprio autor. E este entrelaçamento é o que dá "liga" às estórias e fazem da leitura algo verdadeiramente instrutivo quanto prazeroso.

Por fim, vale dar um destaque especial na valorização do livre pensamento e da busca da verdade em várias passagens da obra. E que reflete na própria narração do autor, independente e crítica. Traz, às vezes mesmo, algumas confidências e relatos muito particulares que sugerem uma homenagem dirigida diretamente aos biografados.

Ah! E um detalhe! Alegrou-me saber da estória do antigo suplemento literário do jornal Correio Fraterno do ABC. De certa forma, este espaço que ocupo na análise do livro espírita é produto destas iniciativas ainda que de forma inconsciente.

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